Século XIX
          1809: Um ano após a chegada de D. João VI, criou-se a Secretaria de Polícia e foi organizada a Guarda Real de Polícia, sendo nomeado para sua chefia o major Nunes Vidigal, perseguidor implacável dos candomblés, das rodas de samba e especialmente dos capoeiras, “para quem reservava um tratamento especial, uma espécie de surras e torturas a que chamava de Ceia dos Camarões”. O major Vidigal foi descrito como "um homem alto, gordo, do calibre de um granadeiro, moleirão, de fala abemolada, mas um capoeira habilidoso, de um sangue-frio e de uma agilidade a toda prova, respeitado pelos mais temíveis capangas de sua época. Jogava maravilhosamente o pau, a faca, o murro e a navalha, sendo que nos golpes de cabeça e de pés era um todo inexcedível".
          1813: Moraes, na segunda e última edição que deu em vida de sua obra, Diccionario da Língua Portugueza, inclui também o vocábulo capoeira. Após isto, o termo entrou no terreno da polêmica e da investigação etimológica, envolvendo nomes como os de José de Alencar, Beaurepaire Rohan e Macedo Soares.
          1821: Em carta dirigida ao ministro da Guerra, a Comissão Militar do Rio de Janeiro reclamava dos “negros capoeiras, presos pelas escolas militares, em desordens”, e reconhecia “a necessidade urgente de serem eles castigados pública e peremptoriamente...”.
          1826: O francês Debret retratou o Tocador de berimbau.

"O velho Orfeu Africano - urucungo", aquarela de Debret.

          1828: Vez por outra, os capoeiras, freqüentemente chamados de desordeiros, assumiam o papel de heróis, como aconteceu no caso da revolta dos batalhões mercenários (irlandeses e alemães), que abandonaram seus quartéis (no Campo de Santana, São Cristóvão e Praia Vermelha) e promoveram uma carnificina, matando e saqueando. Conta J.